A cultura do divórcio que vivemos na nossa sociedade atual banaliza as consequências da rutura emocional e física que um divórcio implica e inflige nas crianças e adultos.
Daniel Sampaio descreve algumas dessas consequências no seu livro "O tribunal é o réu".
É sempre importante pensar muito bem antes de perdermos a nossa família e mudarmos para sempre a dinâmica e elos emocionais criados.
Penso melhor a escrever, daí estas reflexões no blog. Pensemos antes de destruir...
"É verdade que as crianças são resilientes e, ao fim de um ano após a rutura, estão adaptadas aos principais aspectos da sua nova vida. No entanto, poucos são aqueles que se preocupam com os efeitos a longo prazo do divórcio."
Judith Wallerstein efetuou um estudo sobre o impacto do divórcio, concluindo entre várias situações que "a separação dos pais teve profunda repercussão na evolução futura dos filhos."
"No pós-divórcio, todas as crianças tiveram que se adaptar aos novos papéis dos seus pais...perderam as referências da sua casa."
O divórcio "vai ter importância na formação da sua personalidade e na forma como irão ser capazes de lidar com outras situações de crise...é provável que as crianças e os jovens filhos do divórcio deixem de alimentar expectativas positivas face ao seu próprio futuro familiar."
"Quando examinamos os motivos da rutura, verificamos, em muitos casos, que o casamento não estava tão mal como nos queriam fazer crer: na realidade, a investigação demonstra que são os problemas de comunicação e os pequenos conflitos do quotidiano que determinaram a separação. Incapazes de suportar divergências e convictos de que o AMOR-PAIXÃO pode durar sempre, homens e mulheres precipitam-se numa escalada de discussões, às vezes por motivos mínimos."
"Os casais deveriam pensar, com seriedade, se a sua vida vai mesmo melhorar depois da separação e se o futuro dos filhos não vai ser afetado por muitos anos."
"A perspectiva que defendi no meu livro Labirinto de Mágoas é que as crises estarão sempre presentes numa relação amorosa de longa duração, mas que podem ser ultrapassadas pelo próprio casal ou com ajuda exterior. Os filhos merecem, na minha opinião, que os pais reflitam sobre as suas divergências e tudo façam para as ultrapassar."
É preciso coragem, força e determinação acrescento eu...perguntei a um colega que está casado há 14 anos se ama a mulher. Resposta: sei lá! Ao fim deste tempo todo não faço ideia, a paixão é coisa de início e se amo ou não, sinceramente não penso nisso há anos. Já nem me parece importante!
Acho que as emoções e sentimentos mudam ao longo do tempo, evoluem para algo diferente mas tal não significa que seja mau ou até falta de amor. É simplesmente o dia a dia da vida e um bem querer diferente...terei razão?!
"Sabemos que a conflitualidade nos casais não cessa com a separação. Em muitos casos até aumenta, porque a perda que o divórcio implica desencadeia novas emoções e sentimentos negativos até então desconhecidos...entretanto, em casa, os filhos sofrem com o que se está a passar e, às vezes, são chamados a intervir de forma desajustada."
Será que os problemas que nos afetam diariamente, como, trabalho, desemprego, saúde, até o que raio que vou fazer para o jantar hoje, corridas entre escola, actividades extra-curriculares, festas de aniversário e um sem fim de obrigações que nos fazem não ter tempo para VIVER, não nos fazem ver a vida negra, os conflitos banais como o inicio da 3.ª guerra mundial, o cansaço extremo como um...se calhar já não te amo...porque na verdade entre tantos problemas já nem tenho tempo para amar?!
Será que muitos dos nossos problemas afectivos não melhorariam se conversássemos mais, sem restrições e tivéssemos a oportunidade de descansar mais?
Estou convicta que sim. Convicta que vale a pena lutar pelo que construímos com amor, que vale a pena tentar tudo e mais alguma coisa antes de deitar a toalha ao chão.
LUTEMOS...
O Tribunal é o Réu - Daniel Sampaio
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